" (...) não é impunemente que se prostituem as palavras."

Albert Camus, "O artista e seu tempo", dezembro de 1957.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ano Novo é agora: cada segundo é novo também

Ego - source: Pinterest
Pelo fim da calendarização frescuro-sintomática das ações!

À favor de uma determinação que seja mais oportuna e amplamente desvinculada dos rituais temporais calendarizados dos grandes grupos!

Em outro linguajar: cada leva de ar inspirado e expirado representa uma nova chance de fazer o que é preciso, seja por necessidade ou gosto; (defina aí a sua "necessidade" porque já não sou capaz de trabalhar tal conceito em meio à promiscuidade das relações entre significados e uso das palavras).

Outra bandeira que a amargura da expressão escrita aqui manifestada permite-me derrubar é a da solidariedade. 

Porque quase sempre é apenas aparente.

A partir do segundo ou do minuto seguinte você terá uma nova oportunidade, e assim sucessivamente, para pensar honestamente sobre até que ponto aquilo que chamamos de solidariedade é efetivamente uma troca em que se abandona uma posição de conforto, um querer que seja, em prol de algo a ser feito pelo outro. Ou se é apenas um bondinho elétrico charmoso no qual você pegou carona, num dia de sol sem maiores compromissos, para ver até onde vai dar e, principalmente, porque deram-lhe o bilhete da passagem de graça.

Pois bem, o ego tem dessas coisas.

Um feliz momento novo para todos! Que cada oportunidade de promover mudanças esteja mais próxima do ímpeto que da preguiça. Que estejam menos aliadas aos marcadores temporais da sociedade que às aspirações do meio do dia pelas quais somos frequentemente acometidos.

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